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Base de Alcântara abre edital para empresas civis lançarem satélites

Os interessados têm até 31 de julho para se candidatar.

Empresas civis do mundo inteiro já podem se candidatar para usar a Base de Alcântara, no Maranhão, para lançamentos orbitais. Nesta semana, a Agência Espacial Brasileira (AEB) publicou um edital para os interessados. A expectativa é que o primeiro evento do tipo ocorra em 2021.

Os interessados têm até 31 de julho para se candidatar. De acordo com o presidente da AEB, Carlos Moura, já existem companhias interessadas. “Estamos sendo bem humildes. O mercado dos pequenos satélites tem crescido e não tem muitos lançadores. É esse o nicho que queremos explorar. Algumas empresas já nos procuraram e visitaram Alcântara, cerca de umas 12 empresas. E, no mundo, existem dezenas e dezenas de desenvolvedoras”, destaca.

Para a AEB, o edital tem “grande significado histórico”. O programa espacial brasileiro tem mais de 20 anos, mas o Brasil nunca fez um lançamento em órbita a partir de seu solo — até agora, foram feitos lançamentos não lineares, suborbitais e lançamentos orbitais a partir de outros países.

Lançamento de satélite

Em 2017, o Brasil lançou o primeiro satélite brasileiro, que saiu da base da Guiana Francesa. O Satélite Geoestacionário Brasileiro de Defesa e Comunicações Estratégicas tem como missão reforçar a segurança nacional, atuando na vigilância das fronteiras e do espaço aéreo, além de ampliar a banda larga de internet no país.

O edital lançado se tornou possível após o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), condição obrigatória para o uso do Centro Espacial de Alcântara (CEA) como base de lançamento de objetos espaciais de quaisquer países que possuam componentes americanos. Cerca de 80% dos satélites e objetos espaciais do mundo todo têm componentes fabricados pelos Estados Unidos. “20 anos após a apresentação do acordo, ele ainda não tinha sido ratificado pelo Congresso Nacional, o que ocorreu em novembro passado. Depois disso, foi assinado o termo de cooperação entre a AEB e a FAB”, conta o presidente da AEB.

A base de Alcântara

Inaugurada em 1983, a Base de Alcântara fica a 90km de São Luís e tem uma localização geográfica considerada privilegiada para lançamento de foguetes. Por ficar a 250km da linha do Equador, a base fornece a possibilidade de grande economia de combustível. Outra vantagem é o clima da região, que permite lançamentos o ano inteiro.

Segundo Carlos Moura, o edital é um grande passo para a ciência brasileira, mas também traz benefícios econômicos e sociais para Alcântara. “É um local excepcional. Foi concebido para ser de interesse mundial. A atividade especial, que antes era de projetos de governo, começou a ter empreendimentos de negócios. O Brasil pode começar a fazer parte desse mercado. Além do progresso, educação”, afirma o presidente da AEB.

Moura diz que o país tem muito potencial no setor e o que falta é mais estímulo. “Nós somos um país continental, isso requer meios para poder cuidar de tudo, e a melhor forma é a espacial. Derramamento de óleo, desmatamento, tudo isso pode ser monitorado. Esse é só o primeiro passo que acreditamos que pode acender essa fagulha do bem”, destaca.

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