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Covid-19: Brasil pode levar mais de quatro anos para vacinar toda a população

O cálculo é do microbiologista da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Gustavo de Almeida, com base no número total de brasileiros a serem vacinados.

O Brasil pode levar mais de quatro anos para imunizar toda a sua população contra a Covid-19, se manter o ritmo de vacinação conduzido atualmente. O cálculo é do microbiologista da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Gustavo de Almeida, com base no número total de brasileiros a serem vacinados (160 milhões, segundo o IBGE, já que os menores de 18 anos não serão imunizados agora).

Para cobrir esse público-alvo no atual ritmo, seriam necessários de quatro anos e meio a cinco anos, considerando que os imunizantes usados no Brasil devem ser aplicados em duas doses.

Durante a campanha de vacinação contra a gripe em março de 2020, já em plena pandemia do novo coronavírus, eram vacinadas até um milhão de pessoas por dia. Atualmente, a média de imunizações diárias é de 200 mil pessoas, ou um quinto disso, como ressalta Almeida.

“Este ritmo é lamentável”, comenta o microbiologista. “Já em plena pandemia de Covid-19, conseguimos vacinar 54 milhões de pessoas contra a gripe em cem dias, sem grandes esforços. No caso do coronavírus, deveríamos conseguir no mínimo o mesmo número; idealmente mais, se abríssemos postos de vacinação em estádios e escolas”.

Vale lembrar que, de acordo com cálculos recentes feitos por ferramenta criada pela Bloomberg, pode levar até sete anos para nos vermos totalmente livres da pandemia. Ou seja, quando 75% da população mundial estiver imunizada.

O porquê da demora
Especialistas apontam a escassez de vacinas como a maior causa da lentidão do processo, que já começou depois de cerca de 50 outros países. Devido ao número muito reduzido de doses, foi preciso estabelecer prioridades, limitando a quantidade de pessoas que poderiam ser vacinadas por dia.

Além disso, na ausência de uma coordenação nacional por parte do governo federal, cada Estado definiu estratégias e cronogramas diferentes. Em Manaus, por exemplo, a vacinação teve de ser interrompida após denúncias de fraudes no acesso à fila.

“Um dos grandes gargalos é a questão das prioridades”, afirma o epidemiologista Fernando Barros, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). “Se tivesse vacina para todo mundo, era muito mais simples vacinar um milhão por dia. Se tivesse muita vacina, ninguém ia furar a fila, como aconteceu em Manaus”, completa.

Para piorar a situação, é possível até mesmo que a campanha brasileira tenha de ser interrompida em breve, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha. “Na situação em que estamos, provavelmente vamos ficar um tempo sem vacinar ninguém, uns vinte dias, se não recebermos outras vacinas, até a Fiocruz e o Butantan começarem a produzir em larga escala”, ponderou.

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