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Lavrador é encontrado após uma semana desaparecido, em Bacabal

Em depoimento, José de Ribamar Neves Leitão afirmou que ficou uma semana escondido no mato após escapar da execução que seria praticada por um grupo de policiais militares.

O lavrador José de Ribamar Neves Leitão, conhecido como “Riba”, que estava desaparecido desde o dia 1º de fevereiro da cidade de Bacabal foi encontrado na madrugada dessa segunda-feira (8).

O lavrador afirma que ficou uma semana escondido no mato após escapar da execução que seria praticada por um grupo de policiais militares. José Leitão foi acusado pelos PMs de estar envolvido no roubo de carneiros da fazenda em que ele trabalhava. Os animais teriam sido, segundo os PMs, vendidos a um comerciante.

O lavrador foi sequestrado e levado para ser torturado. O objetivo era fazê-lo confessar a prática do crime. Como ele não confessou, foi amarrado e colocado em um carro. Em seguida, os PMs foram sequestrar o comerciante Marquinhos em sua residência. Ele também foi torturado e como não confessou o crime, terminou sendo morto pelos policiais.

Durante o relato, Riba contou que foi levado por policiais para ser morto, no dia em que os PMs levaram o comerciante Marcos Santos. Ele afirmou que viu o comerciante ser torturado e morto pelos policiais, sendo que o genro do dono da fazenda fez parte da execução.

José de Ribamar conta que os PMs foram até o seu local de trabalho e o atraíram para uma emboscada. Ao chegar ao local, os policiais o pressionaram para confessar que havia roubado carneiros. Ele negou o crime. Em seguida, o lavrador diz que foi espancado, teve as pernas e os braços amarrados e foi jogado no porta malas do carro onde estavam os policiais.

Em relato, o lavrador disse que implorou aos policiais para não morrer e só conseguiu escapar porque a arma não disparou. Após conseguir fugir, José de Ribamar diz que passou uma semana andando pelo mato, sem comida e bebida. O lavrador relatou também que chegou a ser perseguido por diversas vezes e sempre que tentava ir embora, se deparava com barreiras policiais nas estradas.

“Estava uns dois palmos da minha cabeça [a arma], quando ele apertou o dedo, a arma não disparou. Nessa hora que a arma não disparou, eu corri. Eu criei força nas minhas pernas e corri. Eles de lá mesmo começaram a atirar, deram ao menos 10 tiros em mim, e eu passei a noite toda correndo e eles atrás de mim’ (…) Quando eu chego na estrada, mais ou menos 00h, tinha uma barreira me esperando. Quando eu vejo aquela moto com o farol ligado no meio do caminho e aquelas luzes piscando. Quando eu notei logo, eu vi que era polícia me esperando. E ali mesmo eu fiquei, a noite esperando”, disse.

Morte do comerciante
Durante a entrevista, José de Ribamar relatou o que segundo ele, foram os últimos momentos do comerciante Marcos Santos. Segundo o lavrador, ele estava no porta malas do veículo dos policiais, que aparece em imagens de câmera de segurança chegando na casa de Marcos Santos. Ele afirma que presenciou todas as agressões sofridas pela vítima, até ele ser morto pelos PMs.

“Ele foi batendo nele no carro, enforcando, o rapaz [o PM] pegando nisso aqui dele [no pescoço], o cara puxava na garganta dele, dando muito socos na cara dele. Eles seguraram ele [Marcos] e mandaram o rapaz [PM] pular em pé, em cima da barriga dele, pulando com os dois pés em cima dele, do peito dele. Acho que isso aqui já deveria estar quebrado de tanto o pessoal pular. Pegaram ele, colocaram um pano na cara dele e começaram a jogar água e ele já asfixiado e sem poder falar. Eles não davam chance nem dele falar, nem dele poder se explicar. Molharam uma camisa bem pesada e começaram a bater na cara dele. Enquanto ele estava respirando. eles estavam batendo nele com a camisa, até que ele não resistiu”, explicou.

De acordo com José de Ribamar, depois de terem matado Marcos Santos, o próximo passo era matar ele e simular uma troca de tiros. Ele explica que o tenente Pinho, um dos suspeitos, pediu aos colegas que atirassem em uma das pernas dele.

“Eram cinco pessoas e ai, o Pinho disse ‘vocês quatro, que era o Gilberto e outros três, era para segurar ele e atirar nele [Pinho]’. Disseram que era para atirar no peito dele [Marcos] e quando terminar, é pra atirar em uma das minhas pernas’, relatou.

Investigações
O advogado do lavrador, Bento Vieira, disse que por segurança, José de Ribamar foi levado para o escritório e só deve sair de lá após ele ser ouvido pelo secretário estadual de Segurança, Jefferson Portela.

Os cinco policiais envolvidos no crime estão presos no presídio do Comando-Geral da Polícia Militar. Eles foram identificados como tenente Pinho, o sargento Custódio e os cabos Robson, Rogério e Henrique.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA) está investigando uma série de assassinatos cometidos por policiais militares que atuam no Maranhão à paisana, ou seja, sem fardamento. Eles também são conhecidos como os ‘velados’.

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