A "Renovação Política": A herança de pai para filho

Por Elenn Félix*

Época de eleição os discursos já estão prontos, o buzina “aqui” que eu colo já está a todo o vapor, os risos são fartos, as promessas são certas, o futuro já está aí basta votar no candidato.

Além do que, agora é fácil encontrar um candidato. Estão ali, felizes, vorazes em prol da população, fazendo longas e cansativas caminhadas, sentados nas portas e carregando as crianças.

Realmente, loucos seríamos em não votar em pessoas tão carismáticas em que tudo que querem é mudar a realidade. Assim o principal discurso é: “Vote no novo”, vamos renovar e fazer a diferença. Não basta ir muito longe, basta pegar o nome dos candidatos e ver os sobrenomes que já fazem história na política.

Parece mais um legado que é deixado de pai para filho e assim de maneira sucessiva. O novo, nada mais é que o velho em outra roupagem. O povo quer a mudança,
mas continua cometendo os mesmos erros. Por qual motivo não votar naqueles que realmente tem propostas? Aqueles que não tem sobrenome, mas possuem um currículo de gestão? Ou possuem atributos essenciais para a vida política?

Estamos fadados ao fracasso todas as vezes que votamos na herança política. Apoiados em um fanatismo que não nos compete, até tentaram colocar a quota de mulheres na política. Mais uma manobra pífia!

Ora, quantas mulheres são eleitas? E saliento: Quantas mulheres são eleitas sem ter um velho político por trás? É simples, é o marido que não pode mais ser eleito e coloca a mulher, é o marido ou pai que foi condenado por sentença transitada e julgada e coloca a mulher. Não é a mulher, é mais uma vez apenas o sexo feminino sendo manipulado pelo outro que já não pode mais ter o poder.

E essa história do legado é tão séria e forte que sabemos que caso o politico “novo” seja eleito devemos falar com as raposas, ou falar com quem realmente manda, já que por mais que ele tenha a cadeira, não possui o discernimento de seus atos.

Não culpo os que fazem a política, culpo a todos nós que sabemos que os sobrenomes que estão há séculos na política continuam, sem nenhuma proposta, apenas carregando o manto de seus anteriores e trazem uma multidão em troca da política do pão e circo.

Por qual motivo não há debate dos nossos parlamentares que estão indo concorrer a uma vaga na Assembleia? Ora, o executivo não governa sozinho. Se assim fosse, a Constituição se resumiria a uma folha de papel, permita-me Lassalle utilizar de sua palavras tão antigas e atuais.

Concluo com a simples indagação: Qual o novo que realmente queremos?

*Elenn Félix
Advogada, Mestre em Direito, Professora Universitária.