Osmar Terra consolida ethos da mentira durante sessão da CPI

Por Chico de Paula

Já está provado: os apoiadores de Bolsonaro não hesitarão em mentir para salvar seu mito e, por tabela, salvarem a si próprios. Veja o exemplo do deputado federal Osmar Terra que destilou inverdades a torto e a direito na sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid nesta terça-feira, 22.

Agora a questão que se coloca é: por que estas pessoas mentem? Opções: 1) por ignorância (no sentido de ausência de conhecimento)? 2) por canalhice? 3) por oportunismo ou 4) por maldade mesmo? Seja lá qual for a resposta, pouco importa, porque o que importa não é necessariamente as motivações, mas as consequências disso.

Uma das consequências mais aparentes das mentiras destiladas por Bolsonaro e seus apoiadores, seja nas ruas, seja nas redes, é a morte de centenas de milhares de pessoas que acreditaram e continuam a acreditar nestas mentiras. Não é incomum encontrar alguém que não acredita na vacina, por exemplo, porque o chefe máximo da Nação a desacreditou.

Aparentemente Bolsonaro e seus apoiadores mentem de forma deliberada porque sabem que, sendo desmentidos ou não, os estragos destes atos já estarão consumados a priori. Na era da internet, uma palavra, quando postada, é praticamente impossível de dimensionar até onde ela pode chegar e que estragos pode fazer.

Some-se a isso o fato de que muitas destas mentiras, desinformações, meias verdades e fake news estarem sendo proferidas em rede nacional de rádio e televisão, praticamente todos os dias da semana, chegando a milhares de lares e de mentes desavisadas pelo Brasil afora.

A mentira se impõe, a partir do governo Bolsonaro, inaugurando um novo ethos, ou seja, um conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento e da cultura, moldando valores, ideias ou crenças, passando a caracterizar a sociedade brasileira contemporânea como uma sociedade que não só que se molda nestas mentiras, mas que colhe os podres frutos desta lógica.

Durante a sessão da CPI desta terça-feira, Osmar Terra foi facilmente desmascarado com base nas suas declarações anteriores, todas proferidas publicamente. No entanto, é bem provável que nada disso importe para muitas pessoas que já estão inscritas nessa cultura e absorverão as inverdades proferidas, apesar de todas as suas fragilidades.

 

Chico de paula é Doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em Políticas Públicas e bacharel em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), advogado e jornalista. Natural de Lago da Pedra (MA), radicado no Rio de Janeiro, onde reside desde 1999