UM MARANHÃO VERDE

Por Zé Reinaldo

Os governos se sucedem e cada um procura sintetizar os seu objetivos maiores, que irão nortear suas ações, em frases construídas cuidadosamente com esse finalidade. Juscelino Kubitschek, que queria fazer um governo desenvolvimentista, cunhou “50 anos em 5” para expressar o seu desejo de modernizar o pais. O do meu governo, que foi voltado para melhorar os indicadores sociais, diminuir a pobreza e a desigualdade, buscou melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e estabelecemos uma meta de ultrapassar o índice de 0,700. Um grande desafio.

Nesses novos tempos, com a ameaça de calamidades climáticas extremas, que já acontecem, como furações violentos, tornados extremamente destruidores, chuvas calamitosas, aumento do nível do mar, secas, acho que o slogan perfeito para o Maranhão, no próximo governo (e me apresso a fazer a sugestão) seria “Um Maranhão Verde” que, no meu modo de ver, atrairia capitais, empresas, empregos, investimentos em pesquisas desde que, obviamente, em conjunto, todas as forças de capital financeiro, humano e administrativo, atuassem na mesma direção. O que, aliás, já está acontecendo, ainda informalmente, com a ação conjunta do Estado, Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), Academia (Ufma) e Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap).

Essa união de objetivos nos levará a tirar o maior proveito possível de uma grande oportunidade de desenvolvimento em que temos vantagens muito grandes. E isso porque o que já foi construído de infraestrutura moderna no Setor de Transportes, com os melhores e mais adaptados portos para o futuro, que já se faz presente, e uma rede ferroviária, existente e em construção inigualável, nos dá condições ímpares no Brasil para conseguirmos esses objetivos de desenvolvimento social e econômico. Sim, pois essa infraestrutura portuária e ferroviária nos permite fretes e custos mais baixos, tanto para a exportação quanto para o mercado interno, pois estamos ligados à espinha dorsal do transporte do país, a Ferrovia Norte Sul, que nos dá acesso a todo o Brasil interior, ao Centro-Oeste e ao Sudeste e, além disso, a cabotagem, que vai ter um impulso enorme a partir da aprovação do projeto BR do Mar, para nos dar acesso a todo o litoral brasileiro, a todos os estados costeiros, com transporte de baixo custo.

Esse será o nosso cartão de apresentação em futuro bem próximo, um “Estado-Solução”, como dizia João Castelo: slogan cada vez mais verdadeiro. E tudo isso “verde”, com baixa emissão de carbono. Já estamos atraindo projetos verdes, como o de Jayme Monjardim, que mostrei aqui, para aproveitamento do babaçu e do turismo ecológico. Mas não é só isso. É muito mais. O maior desafio à humanidade é deixar de consumir combustíveis fósseis, base da energia no mundo. Esse é um desafio que será vencido, no início, pela imposição tangida pelas calamidades, que já se apresentam cada vez mais fortes e pelo medo, que todos têm, do desconhecido. E no futuro próximo, porque será vantajoso, fruto do investimento em tecnologia e inovação, que trará a queda constante dos custos para a produção de hidrogênio verde e da amônia, matéria-prima dos fertilizantes nitrogenados. Hoje, o custo é de cerca de US$ 3/kg a US$ 5/kg. E já anunciam que, em algumas regiões, se consegue produzir a US$ 1/ kg. A ciência vai permitir a mudança, como em tudo o mais. E, com isso, manter-se-á o mundo funcionando e crescendo sem interrupção. A Arábia Saudita, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, já investe maciçamente para se tornar um dos primeiros, também em energia verde.

Nós estávamos muito atrasados nessa corrida da energia verde, mesmos situados em uma das melhores regiões do mundo para produzi-la, o Nordeste Brasileiro. Tínhamos apenas um grande projeto de energia eólica, da empresa Ômega, que sucedeu um projeto iniciado no governo de Roseana Sarney. Em energia solar, não tínhamos nenhum. Isso por falta de interesse do estado em atrair essas empresas, diferentemente dos outros estados nordestinos que mudaram suas legislações de incentivo fiscal, de PPP Ambiental, para toda a cadeia produtiva e, assim, avançaram rapidamente, além de juntarem o que só agora estamos fazendo, as federações de indústrias, Estado, academia, portos. Faltava nos organizarmos com esse objetivo e hoje isso também já é uma realidade aqui. E já produz frutos.

Independente disso, as empresas internacionais já nos procuram, alemãs e portuguesas, americanas, atraídas pela nossa infraestrutura que nenhum outro estado do Nordeste tem. Nós temos no Maranhão um importante polo do agronegócio instalado no que se convencionou chamar de Região de Balsas, que fez aquela área se tornar um polo dinâmico de desenvolvimento e fazendo de Balsas um dos mais desenvolvidos municípios do estado. Hoje, a maior produção de grãos do país está no Arco Norte, com mais de 60% da produção brasileira e precisa de fertilizantes porque a perspectiva é de crescer muito mais. Os fertilizantes, que possuem um gigantesco mercado mundial, dobraram o seu valor. O composto NPK (nitrogenados, fosfatados e potássio) passaram de (preços em R$/tonelada), de 2.070 para 4.411, em Mato Grosso (113%) e no Paraná, de 1.977 para 4.517, com 129% de aumento. O cloreto de potássio teve aumento em torno de 70% e a ureia, aumentos que variaram entre 80% a 142%.

Chamei a atenção sobre os fertilizantes, que hoje importamos mais de 80% do que consumimos, porque nós poderemos ser um dos grandes produtores globais. Com imenso e crescente consumo mundial, hoje não se produz amônia verde, só cinza, e temos um mercado enorme, interno e externo, como futuros produtores de amônia verde. A amônia tem como matéria-prima o hidrogênio, além de servir como importantíssimo meio de transporte e armazenamento para o hidrogênio. É, portanto, produto importantíssimo sob todos os aspectos.

União de propósitos – Hoje, o panorama no estado é outro. Essa união entre as entidades mencionadas nos fez avançar rapidamente. Há seis meses não tínhamos nada e hoje o nosso avanço é enorme em direção a uma sociedade verde, produtora de energia verde, de agronegócio verde, de fertilizantes verdes, atraindo empresas e empregos como nunca tivemos antes.

Cada um faz a sua parte em conjunto harmonioso. A Fiema contratou o estudo de viabilidade econômica da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), com termos de referência elaborados pela Secretaria de Estado de Programas Estratégicos (SEPE), além do Atlas da Energia Eólica e Solar, que está sendo produzido pelas federações de indústrias do Nordeste. Além das ligações empresariais e do acesso que tem a outros estados. A SEPE tem tido papel importantíssimo no estudo de um conjunto de medidas para atração de investimentos, e preparou um estudo importantíssimo, o Zoneamento Ecológico e Econômico das florestas maranhenses, um produto fantástico para alavancarmos créditos de carbono.

No Porto do Itaqui, um grupo de estudos apoiado fortemente pelo presidente Ted Lago e por toda a diretoria, com mestres e doutores que trabalham voluntariamente, chega ao final do ano com o projeto do HUB de produção de hidrogênio verde e amônia, pronto, com orçamento e com ele iniciamos conversações com empresas já presentes no Maranhão e que será apresentado ainda neste ano aos parceiros. Um trabalho excelente e com esses estudos, nós demos um salto de gigante, para nos inserirmos, nesse grande mercado que se abre ao produtores de energia verde.

O verde é o nosso futuro.

Esse é um legado do atual governo para o próximo do vice-governador Carlos Brandão.

Desejo um ótimo Ano Novo para todos!

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José Reinaldo Tavares é ex-governador do Maranhão e ex-deputado federal por dois mandatos