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O FIM DAS DORES - Magnésio Dimalato Magnésio Dimalato
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Oh Yes, no tenemos banana

Por Edson Vidigal

Repare bem no macaco. No reino em que sendo apenas súdito parece o mais disposto, alegre e feliz.

O leão proclamado o rei desfila sua juba sem graça alguma. E quando arreganha os dentes, fingindo sorrir, não é nada cordial.

O rei e sua entourage farejam sangue em carne viva.

O macaco, não. O macaco é vegano. Apaixonado por banana.

Da dieta dos macacos, de cuja espécie, aliás, dizem, descendemos, inferiu-se o quanto dependeríamos, e dependemos, sim, e muito, da banana como alimento.

Macaco não tem pressão alta nem prisão de ventre. Nem AVC, leia-se acidente vascular cerebral, nem câncer, nem Parkinson, nem depressão. Se não lhe faltar banana, tudo bem.

O macaco ensinou aos cientistas as propriedades da banana, indispensáveis à boa saúde dos humanos. Rica em potássio, fosforo, cálcio, vitamina C, B1, B2, B5, B6, B9, B12, triptofano, algum carboidrato, proteína e quase nenhuma gordura.

Macaco não sofre de ansiedade, dorme bem, não tem azia e está sempre com boa massa muscular.

Uma banana, no máximo duas por dia, bastam para que o corpo humano usufruindo isso tudo se mantenha em boa saúde.

Associo muito a banana brasileira ao verso de Torquato Neto no seu poema Marginália II – “a bomba explode lá fora / agora o que vou temer? / oh yes nós temos banana até pra dar e vender”.

Naquele tempo, e desde muito antes da Carmen Miranda, isso era verdadeiro. Comprava-se coisa a preço de banana. E com o gesto de espalmar a mão por baixo do antebraço traduzindo desprezo, dava-se banana.

Acreditas que o Brasil hoje já não produz tanta banana chegando ao cumulo de comprar toneladas da França, por exemplo? Fiquei sabendo disso ontem e ainda estou estupefato.

O mercado internacional da banana movimento hoje 8 (oito) bilhões de dólares por ano. Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

À medida em que se difundem as conclusões dos estudos sobre a saúde dos macacos e as repercussões da sua dieta na saúde humana maior tem sido a demanda por bananas.

Estima-se que a produção mundial de bananas esteja em torno de 114 milhões de toneladas. O consumo mundial aumentou 3,2% no ano passado. Só na União Europeia as importações cresceram 29% nos últimos 5 (cinco) anos.

Segundo os entendidos em cultivo e exportações de banana, o Brasil só estará competitivo no mercado mundial quando se atualizar em tecnologia e redução de custos. Dois dos principais imbróglios estão na colheita e no transporte.

No ano passado, a França comprou do Brasil banana fresca a preço de banana, ou seja, a 2 (dois) mil dólares por tonelada. No mesmo período, o Brasil comprou da França banana congelada, em forma de polpa, a 10 (dez) mil, 430 (quatrocentos e trinta) dólares a tonelada.

Pois é, não temos mais banana suficiente para o consumo dos brasileiros. Vamos nos unir todos num Dia Nacional da Banana. No qual cada brasileiro com a mão aberta batendo no antebraço dê a sua banana, solenemente e enfática, aos maus políticos e omissos governantes.

Bananas de verdade não só aos macacos. Às pessoas do Povo também.

Edson Vidigal, advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

 

Enganadores e Enganáveis

Para os que estão chegando, o susto, a surpresa, a herança maldita. Como estariam agora sem a grande desculpa da herança maldita?

As alegrias de quintal que levaram às festas da vitória e recentemente às solenidades da posse só não estão totalmente murchas porque as ansiedades latentes ainda esperam pelo fim sem piedade da herança maldita.

Todos se queixam de rombos no orçamento público, de gastos absurdos que transcenderam em muito as arrecadações e que com essa herança maldita não vai dar.

Então, não sabiam nada das terríveis dificuldades com as quais, em todos os quesitos – políticos, administrativos, econômicos, fiscais, financeiros, sociais, incluídos segurança pública, educação e saúde, – teriam que encarar?

A campanha eleitoral, desde as eleições na antiguidade, tanto na velha Grécia quanto na Roma antiga, tinha uma função didática. Era o momento em que os pretendentes aos cargos se escancaravam aos olhares dos eleitores que, ao final, se decidia pelos melhores.

Os melhores tinham que ser os mais bem avaliados em todos os quesitos indispensáveis ao exercício da função pública. Não bastava que fossem bons oradores, pessoas cultas, de saber e experiência incontestáveis.

Tinham que ter igualmente um passado com história de bons exemplos, que lhe rendessem respeito, admiração, enfim o que ainda hoje se exige constitucionalmente aos postulantes a cargos da magistratura, do ministério público e das cortes de contas – o indispensável notável saber e a imprescindível reputação ilibada.

Os partidos políticos, instituições sobre as quais há registros históricos inclusive na antiga Judeia, faziam a triagem. Filtravam os nomes. O cardápio de candidaturas que então se oferecia aos eleitores era instigante. De tantos bons nomes.

O direito eleitoral no processo civilizatório se foi se afirmando assim, nessa coerência. A seleção dos melhores por cada partido para candidatos e a eleição dos melhores dentre os melhores candidatos para serem eleitos.

O tempo da campanha eleitoral era para ser sempre o tempo das questões do tempo de legislar e governar. Dos embates das ideias. Das formulações verdadeiras para o enfrentamento eficaz do que atazanando as relações entre a sociedade e o poder público tem que superado. Enfim resolvido.

Vemos isso hoje pelo avesso do avesso. Ah os Senadores! Os Tribunos do Povo! Os administradores das Civitas! Os Governadores das Satrapias! Na Grécia, em Roma, na Europa, nem mesmo nos antigamentes deste Brasil, os estadistas ousaram a esfarrapada desculpa da herança maldita.

Para os eleitos e os reeleitos destas touradas, segue a advertência, aliás, sempre oportuna, do Presidente Abraão Lincoln:

– É possível enganar um Povo por algum tempo. É possível enganar parte do Povo por um certo tempo. Mas não se pode enganar o Povo todo o tempo todo.

Parte do Povo no Brasil já sabe disso. Mas a maioria do Povo, em seu analfabetismo político decidindo as eleições, ao que parece, ainda vai ter que apanhar muito sob a pancadaria da politicalha, a qual sustenta a desigualdade para poder, assim, gerar mais dependência entre maioria pobre de tudo, até de espírito, sob o manto protetor corrupto de um Estado insuportavelmente burocratizado e de formatação totalitária como ainda é este Estado do Brasil.
Não é possível enganar o Povo todo o tempo todo.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

 

 

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