EsportesPrincipais Destaques

Racismo sofrido por atleta maranhense de handebol repercute na internet

A jovem de 20 anos foi chamada de “macaca” por um torcedor durante partida em Santa Catarina.

O técnico do Barbosa de Godóis Handebol (BGH/MARANHÃO) se manifestou em redes sociais nas últimas horas para repercutir o caso de racismo sofrido pela ex-atleta do time maranhense, Gilvana Mendes Nogueira.

A jovem de 20 anos foi chamada de “macaca” por um torcedor durante partida entre as equipes de Blumenau x Unip/São Bernardo válida pelas oitavas de final da Liga Nacional de Handebol Feminina, que aconteceu no dia 27 de outubro, em Santa Catarina. A atleta foi contratada pela equipe do São Bernardo no início do ano e vem se destacando nas competições.

“Sim, Gilvana é negra, e daí? Seria tudo normal se a mesma não tivesse sofrido ofensas pelo simples fato de ser negra. O único pecado que ela cometeu foi se destacar na partida com suas habilidades, fazendo a diferença no time. Um torcedor do time adversário, não se conformando com o que via, proferiu palavras ofensivas a ela como, ‘macaca’, ‘volta pra senzala que lá que é teu lugar’. Sim, isto é Brasil!”, disse indignado o técnico Eduardo Telles.

A denúncia de racismo acontece no ano em que é lembrado os 130 anos da abolição da escravatura. A Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel enquanto regente do trono, em 13 de maio de 1888, decretou o fim de todas as atividades escravistas do Brasil. Já no mês de novembro é celebrado dia 20 o Dia da Consciência Negra. A data é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira e também foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Ele foi um dos pioneiros da resistência contra a escravidão e o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial.

“A ofensa não é apenas contra os negros, a ofensa não é apenas contra a UNIP, a ofensa não é apenas contra quem tem negros na família, a ofensa é contra todos que não toleram esse ato de quem julga-se superior pela tonalidade da cor da pele, ou até quem julga que o outro é inferior porque o tom da pele dele não é bom o bastante para você”, afirmou em seu perfil pessoal no Instagram a também atleta Hannah Nunes, a publicação da atleta foi compartilhada no perfil oficial da equipe de handebol feminino de São Bernardo do Campo/SP.

A Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (Sedel) também manifestou profunda indignação com o ataque racista sofrido pela atleta de handebol. Repudiou “qualquer tipo de atitude que vá contra o ser humano, independente de gênero, raça ou opção sexual”. Garantiu que o “esporte é uma ferramenta inclusiva” e se solidarizou com a atleta, bem como todos que tem sofrido algum tipo de constrangimento e discriminação.

Veja abaixo a nota da Confederação Brasileira de Handebol:

A CBHb vem por meio desta afirmar que já está apurando os fatos a respeito das ofensas racistas por parte de torcedores contra jogadoras do time visitante, no jogo entre as equipes de Blumenau x Unip/São Bernardo. A partida que ocorreu no último dia 27 de outubro em Santa Catarina foi pelas oitavas de final da Liga Nacional de Handebol Feminina. A CBHb reitera que repudia todo e qualquer ato de racismo e que levará ao conhecimento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para as devidas providências cabíveis dentro do que rege as leis esportivas.

Deixe Aqui Seu Comentário
Tags
Ler Mais

RELACIONADAS

Close
Close