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Sandy lança EP 10:39 sobre sentimentos da pandemia

'Senti a necessidade de me expressar em relação a tudo isso', explica a cantora em coletiva de imprensa. Álbum é composto por três faixas e de clipes que formam um curta

Após rodar o Brasil com a turnê Nossa história ao lado do irmão, Sandy tinha planos de, em agosto, lançar um novo projeto solo atrelado a uma série de shows. A pandemia, claro, fez com que tudo isso fosse transferido para 2021. Mas o período da quarentena inspirou a artista a fazer outro trabalho, o EP 10:39, lançado na madrugada desta quarta-feira (14/10) em formato audiovisual nas plataformas digitais e que chega a partir das 11h em formato audiovisual no YouTube, com três clipes que, juntos, formam uma narrativa única em um curta-metragem de duração do título do álbum.

“Foi uma coisa que pensei e idealizei durante a pandemia. Exatamente porque senti a necessidade de me expressar em relação a tudo isso. O que está acontecendo no mundo, muda o nosso olhar sobre certas coisas. Tudo que eu falasse estava correndo o risco de ser clichê e não ser suficiente. Nessas músicas, duas que não são minhas e uma que gravei há 10 anos, encontrei tudo que queria dizer”, afirma a artista em entrevista coletiva.

As três canções são Piloto automático, faixa da banda Supercombo que Sandy conheceu no período em que foi jurada do reality show Superstar da Globo; Lua cheia, do grupo 5 a seco; e Tempo, música de autoria própria lançada pela primeira vez no álbum Manuscrito, disco de estreia da carreira solo. Juntas, as faixas formam uma narrativa que se relaciona com a quarentena. Essa unidade está tanto no áudio, como na versão visual. Sandy, inclusive, pede que os fãs assistam, ao menos uma vez, todos os clipes de uma vez só.

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Pra mim, como artista, seria impossível passar por esse período sem ser afetada de alguma maneira. A nossa profissão é toda baseada na nossa capacidade (ou necessidade) de expressar o que a gente sente em forma de arte. Mas, por algum motivo, quando eu pensava em compor, parecia que eu não conseguia ser completamente sincera ou suficiente. Quando a gente escreve com um assunto em mente, a gente se limita um pouco, e eu não queria, de maneira alguma, me apoiar em clichês ou correr o risco de soar minimamente oportunista. Por outro lado, acho que a arte, em suas diversas formas, ajudou a preservar um pouco a sanidade de muita gente durante esse ano, e comigo não foi diferente. Filmes, séries, músicas, livros, artes plásticas… me tocaram de um jeito indescritível e que ajudou a acalmar o coração em diversos momentos. E algumas canções específicas que eu já amava há muito tempo, de repente, se mostraram pra mim com um sentido completamente novo e inesperado. Assim nasceu a necessidade de fazer esse EP. “Piloto Automático”, da banda Supercombo, que conheci quando fui jurada do programa Superstar, “Lua Cheia”, da banda 5 a Seco da qual sou fã há anos e “Tempo”, que gravei no meu álbum de estreia da carreira solo, redescobri e que, nesse momento, tomou um tamanho muito maior do que tinha quando a compus, 11 anos atrás. Três músicas que viraram uma só, que se confundem uma com a outra, assim como as horas, os dias e os meses desse ano maluco. Produzi em casa, com a família e com poucos músicos que gravaram à distância suas lindas participações. Para ilustrar essas canções, chamei um artista que conheci e por cujo trabalho me encantei durante esse período, chamado Thainan Castro, que me presenteou com essa obra tão sensível, delicada e simbólica. Quando liguei pra meu amigo Douglas Aguillar (que me acompanhou e registrou todo o meu “ano de Sandy e Junior”) pedindo pra ele me ajudar a traduzir essas músicas em imagens, fomos à fazenda onde trabalha um amigo de infância e filmamos não um clipe, mas um sentimento, uma alegoria -> continua nos comentários <-

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Escolha das músicas do novo EP de Sandy
Sobre a escolha das faixas, Sandy explica que Tempo sempre foi uma canção que ela oferecia aos amigos em momentos difíceis, por ter uma mensagem de resiliência, mas diz que, na pandemia, percebeu a força da música a partir de duas experiências. Primeiramente, quando fez a primeira live da vida, uma semana depois dos decretos de isolamento social no Brasil. A música encerrou o show virtual feito em casa, em Campinas, ao lado do marido Lucas Lima. Na ocasião se emocionou ao passar a mensagem de que tudo “iria passar”. “Sabia que essa música tinha uma mensagem muito válida. Realmente comecei a ler essa música de uma maneira diferente”, lembra ao ser questionada pelo Correio.

O gatilho mesmo ocorreu na live promovida por Sting, SOS Rain Forest Live. Na oportunidade, cantou novamente a faixa. Dessa vez com um novo arranjo criado por Mateus Asato, com que já havia trabalho em Nós, voz, eles em Grito mudo. Esse arranjo serviu de base para a nova versão de Tempo no EP. “O arranjo dele ficou lindo. Fiquei muito emocionada. Na hora de conceber o EP, imaginei que seria ideal colocar essa música aproveitando o arranjo do Mateus. Pegamos a guitarra dele e fizemos todo o resto a partir disso, num processo bem diferente”, explica.

Já Piloto automático e Lua cheia foram escolhidas por serem canções que Sandy sempre gostou de escutar e por enxergar também atemporalidade das faixas. As duas ganharam uma interpretação pessoal da cantora, com uma sonoridade diferente dos trabalhos da carreira solo. Estética essa que ela diz não saber se levará para frente ou se é algo apenas do momento atual. “Sinto que uma coisa mudou dentro de mim. Não só para mim, muita coisa mudou dentro das pessoas que estão ligadas e vivendo esse momento. Isso não passa despercebido. Estamos redescobrindo certas coisas, entendendo como nos adequarmos. Isso trouxe essa vontade de me aprofundar nos meus sentimentos. Senti liberdade de fazer uma licença poética no meu trabalho e vieram esses arranjos diferentes. Assim como a pandemia é uma exceção, esse EP também poderia ser. O que vai ser daqui pra frente, não sei. Só sei que me identifiquei muito”, completa.

As canções foram gravadas em dois dias, assim como os clipes. Com direção do amigo Douglas Aguillar, responsável pelo documentário Nossa história, o material foi gravado num haras em Três Rios, no interior de São Paulo, com o mínimo de pessoas possível para minimizar riscos.

Gravados numa espécie de bosque, assim que os primeiros materiais foram divulgados nas redes Sandy logo foi comparada a Taylor Swift e a estética de folklore, álbum lançado pela artista neste ano. A cantora diz ter sido uma coincidência e brinca que a única semelhança que vê entre os trabalhos é o fato dela ser fã de Bon Iver, que participou de exile no CD de Taylor. Para ela, a grande mensagem de 10:39 é ser uma narrativa de esperança para os próximos tempos.

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